No Alto Sertão Nordestino é comum as pessoas buscarem auxilio nas rezas e benzeduras. Esta procura não é restrita as pessoas leigas ou de segmentos menos favorecidas da população, estende-se também às classes sociais mais altas, que, acreditam no poder de proteção e cura das palavras ditas na reza, que atravessam séculos. Enquanto os galhos do vegetal é conduzido metodicamente ao redor do corpo, palavras articuladas são ditas como forma de reverter a situação de desconforto que se encontra ou afirma.

Pesquisando relatos sobre rezas e benzeduras no sertão Baiano, nos deparamos com um estudo realizado por Adriana de Jesus Sacramento sobre umas rezadeiras de Caetité chamada Elísia Maria da Conceição. No texto há a seguinte afirmação: ’Além da elaboração de remédios, D.Elísia nos descreve como ela diagnostica doenças que ela costuma rezar em seu meio social. Doenças como: “espinhela caída”, ”erisipela”, “carne quebrada”, “vento caído”, “olho gordo” e outras. Assim ela nos diz como as crianças adquirem o “vento caído”:“… chama vento caído à dita, pega no espanto. O jeito que pega a criança e levanta no aberto ou ficar com medo e dá aquele espanto naquela criança ou apoiar e botar do lado e correr e da correria. Aquilo chama vento caído, mas os médicos não sabem não. Eles não entendem, mas os médicos não sabem não .Eles não entendem o que é isso”. (Entrevista concedida por D.Elísia Maria da Conceição.”

Outro parágrafo que nos chama a atenção é como muitas rezadeiras utilizam a palavra Mar como estratégia de Limpeza. Nesta abordagem entendemos: “As forças da natureza, como o mar nessa benzedura caracterizam a limpeza, a pureza, anula as forças maléficas. A referência ao mar é um recurso largamente utilizados em rezas para o tratamento da espinhela caída e outras doenças como a erisipela.”

Nos tempos atuais muitas pessoas relatam que tem diminuído o número de rezadeiras e benzedeiras no Nordeste.

Na sua opinião, as rezas ajudam a pessoa a ficar melhor?

Texto: Rômulo Fontoura

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